História de Frei Bruno

Filho de Humberto Linden e Cecília Golden, Humberto Linden Jr. nasceu em Dusseldorf, na Alemanha, em 08 de setembro de 1876. Com quase 18 anos, ingressou no noviciado dos Franciscanos da Saxônia, em Harreveld, na Holanda. Tomou hábito em 13 de março de 1894. Destinado à missão brasileira, Frei Bruno trocou a novicidade da Saxônia por um transatlântico que o levou a Salvador, Bahia, em 12 de julho de 1894, onde completou o noviciado e fez profissão solene em 15 de maio de 1898. Encaminhou-se, então, para o sacerdócio, estudando filosofia e teologia, sendo ordenado sacerdote em 10 de maio de 1901, em Petrópolis, onde permaneceu por mais dois anos. Em 1904, foi para a cidade de Gaspar, Santa Catarina, para atuar como superior e vigário. Continuou no mesmo lugar mais três anos como coadjutor. Bruno foi transferido para São José, onde mais tarde confiaram-lhe o cargo de vigário da paróquia. Em 1917, foi transferido para a cidade de Não Me Toque, Rio Grande do Sul, como superior e vigário.

De 1926 a 1945, teve longa estadia em Rodeio, no convento do Noviciado, onde era guardião e vigário. Edificou, sem cessar, por quase 20 anos, com seu exemplo de autêntico frade menor. Assumiu o cargo de diretor da então Companhia das Irmãs Catequistas e fez muitas reformas e construções de novas capelas. Após comemorar 19 anos de vigário e festejar, em 13 de maio de 1944, seu jubileu Áureo Franciscano (50 anos de vida religiosa), foi destacado para trabalhar em Esteyes Júnior, onde permaneceu poucos meses, pois, no fim do mesmo ano, foi designado superior e pároco de Xaxim, até 1956.

Octogenário, veio para Joaçaba e, no então distrito de Luzerna, passou uma temporada de repouso, ou, como ele mesmo entendia, o preparo para a morte. A pedido dos confrades, descobriu novas oportunidades de apostolado, o que o dispôs a ficar em Joaçaba em 02 de fevereiro de 1956. Os últimos quatro anos não foram nada mais que a continuação de um apostolado que Frei Bruno já vinha praticando há anos. Tinha uma predileção por longas e contínuas caminhadas. De fato, de manhã e à noite mantinha-se em movimento. Caminhava, visitando as famílias, benzendo as casas, descobrindo uniões a legalizar, consertando lares em desarmonia, visitando os doentes, sempre no mesmo ritmo incansável. Subindo pelas ladeiras, costumava andar em zigue-zague a fim de aliviar o velho coração.

Terminada a missa, Frei Bruno dava suas voltas, chegando em casa pouco antes do meio-dia, quase sempre a pé, empunhando um guarda-chuva, seu fiel e inseparável companheiro. Depois do almoço, descansava na igreja, aparando a cabeça na mesa do altar de Nossa Senhora, rezando ou, então na salinha da portaria, onde atendia às pessoas que o procuravam ou que ele havia chamado. Preocupava-se muito com os presos. Tinha, também, em volta de si, um grupo de crianças pobres às quais dava doutrina e, às vezes, pão e outros petiscos. A partir de 1958, Frei Bruno celebrava sua missa às 5h30min no altar de Nossa Senhora. Depois, dava a comunhão às pessoas que madrugavam e ia ao confessionário, onde era sempre procurado.

Volumosa era a correspondência que ele recebia. Uns pediam bênçãos, outros a saúde para um doente, outros ainda sorte nos negócios. Em 03 de julho de 1959, celebrou pela última vez uma missa. Já não saía mais, mas continuavam as audiências na salinha da portaria. Em 20 de novembro de 1959, foi encontrado por Frei Edgar (o então vigário da paróquia) na sala da portaria, desmaiado, pálido e frio. A partir daquele dia, Frei Bruno andava muito preocupado com a morte.

Em curto prazo, recebeu duas vezes a extrema-unção. As sandálias lhe pesavam muito. No último mês de vida, teve de usar bengala para caminhar e seu confessionário foi colocado na sacristia para poupar-lhe a caminhada pela igreja. Até o último dia, atendeu confissões e deu audiências em sua salinha. No dia 23 de fevereiro, Frei Edgar e Frei Bruno ficaram a sós, até tarde. Frei Bruno chupou umas uvas, tornou, como era de costume, o "vatersegen" (bênção paterna) e foi se recolher. No dia 25 de fevereiro de 1960, Frei Edgar voltou do colégio das irmãs e não encontrou Frei Bruno, nem na sacristia, nem na portaria, nem no refeitório. Frei Edgar foi ao quarto dele, onde o encontrou morto.

Rapidamente se espalhou a notícia do falecimento. Ao meio-dia, o corpo foi colocado na igreja e velado sem interrupções até as 8h do dia seguinte. A população lamentou muito a morte do frade. No dia 26 de fevereiro, o comércio e as indústrias fecharam em sinal de luto. A igreja tornou-se pequena; vieram os confrades de Luzerna, Jaborá e Xaxim. Mais de 120 carros e uma multidão acompanharam o corpo de Frei Bruno ao cemitério. Os motoristas de Joaçaba renderam uma homenagem em particular à memória de Frei Bruno, organizando um grande cortejo, rumando de noite à matriz, onde todos, ajoelhados na escadaria da igreja, rezaram pela alma do religioso.

A memória de Frei Bruno permanece envolta em místicos episódios inexplicáveis para todos. Mas esses fatos não deixam de ser justificativa para o incontável número de devotos que visitam o jazigo daquele que, em vida, espalhou somente a caridade e a bondade. No jazigo dos franciscanos, se encontra o túmulo de Frei Bruno, reformado em 1998 para poder receber a todos os fiéis que incansavelmente migram para o cemitério em nome da fé na figura carismática de Frei Bruno.

Adaptação de trechos do livro CONVERSA DE SANTOS, de Alessandra Zílio
Vanessa Coleraus da Rosa